quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Especismo



Entrando em detalhes, o que seria o especismo? Quando pensamos em racismo sabemos que o mesmo é uma aversão a outras raças; sendo assim, analogicamente o especismo seria uma aversão a outras espécies. Refletindo sobre isso, sabemos também que o racismo é infundado e prepotente; um sentimento que levaram brancos a excluir qualquer tipo de respeito (entre eles utilizar-se da escravidão) pelos negros, por acreditarem que eram inferiores, físico e biologicamente. O especismo, portanto, seria um “racismo ampliado” por considerar as outras espécies inferiores à nossa, então sujeitas “legal e moralmente” a qualquer adversidade (desde aprisionamento, trabalho forçado, morte, etc) por nós. Mas, pergunta-se, como é possível que alguém perca seu tempo tratando de igualdade dos animais quando a verdadeira igualdade é negada a tantos seres humanos? A resposta é a que essa atitude (negar importância à discussão sobre direito dos animais) reflete um preconceito que é tão infundado quanto aquele que um dia fez brancos proprietários de escravos não considerar com a devida seriedade os interesses dos negros escravos.

Esse pensamento especista está enraizado na maioria esmagadora de nós, e em contrapartida, condeno-o e luto veemente contra ele. Cínara Nahra, professora do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e mestre na área de filosofia Moral e Política pela UFGRS tem uma opinião semelhante a respeito: “Seja qual for a natureza do ser, o valor moral exige que a dor e o sofrimento sejam levados em conta em termos de igualdade; e independente da raça, do sexo ou da espécie de quem as sofre, devem ser evitadas ou mitigadas”.

Obviamente animais humanos e não-humanos são diferentes (assim como homens e mulheres também são) físico e biologicamente, porém no campo ético devem ser tratados a partir dos mesmos princípios. Como sintetizou Jeremy Bentham, a questão sobre animais não é “Eles são capazes de raciocinar?”, nem “São capazes de falar?”, mas sim: “Eles são capazes de sofrer?”.

O modo como tratamos os animais não se compara nem de longe ao sofrimento que nós já infringimos a outros seres humanos.

“Em seu comportamento com os animais, todos os homens são piores que nazistas”. A frase é do escritor judeu Isaac Bashis Singer, citada no livro “Libertação Animal” de Peter Singer. Após estas postulações eu os convido a refletir, partindo da constatação de que a crueldade humana para com os animais se manifesta de formas variadas – na alimentação, experiências científicas, circos, zoológicos, touradas, brigas de galo, rodeios, na pesca expansiva e predatória, na exploração de peles e couro, para citar as mais comuns.

Ao decorrer do blog e do interesse e participação de vcs, vou postando aqui mais informações sobre o especismo em todas as suas áreas abrangentes, que citei.


Pra deixar mais claro o que é o especismo, foi criado esse documentário, que na minha opinião é o melhor filme já feito. Do diretor Shaun Monson e narrado pelo ator Americano Joaquim Phoenix (Gladiador), o filme foi possível cotado para o Oscar. Mas é lógico que, um documentário desses não iria por mexer diretamente com instituições milionárias.

Vale a pena assistir. Se Chama Earthlings (Terráqueos):


http://video.google.com/videoplay?docid=-239204330856039070

Um comentário:

antonio disse...

Parabéns, seu blog esta muito bem feito e principalmente um assunto muito sério.
Só espero que nós (des)HUMANOS consiga acordar para esses fatos descritos aqui.